Movimento Cívico pela Linha do Vouga

"Estamos na luta pela Linha do Vouga. Todos nós sonhamos com algo e todos nós ambicionamos algo. Aquilo com que sonhamos e com que ambicionamos é que a via estreita tenha um futuro e não um fim. Queremos que preservem a última linha de via estreita do país, que a renovem, que lhe "limpem a cara". Não queremos que a eliminem pois faz parte da nossa história. Queremos que os nossos filhos, netos e bisnetos, possam, no futuro, desfrutar das mesmas aventuras que todos nós (ainda) podemos desfrutar. A história da Linha do Vouga é algo que tem de ser preservado, pois um país que não preserve a sua história, não é um país. A via tem um potencial turístico enorme, assim como uma afluência de passageiros que consideramos sustentável caso a oferta de comboios seja melhorada. Em Espanha, encontram-se alguns exemplos de como a via estreita pode ser rentável no século XXI, basta para isso algum dinamismo e vontade política para que isso aconteça de igual modo em Portugal."

A Linha do Vouga Propostas e Reivindicações

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sexta-feira, 13 de março de 2026

Novos comboios assinados em Aveiro: Uma afronta a quem utiliza o "Vouguinha"

Foto: CP - Comboios de Portugal

O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) manifesta a sua profunda desilusão e incompreensão perante a escolha da Estação de Aveiro como local onde, na passada terça-feira, decorrera a assinatura do aditamento ao contrato de compra de novas unidades automotoras para a CP.

Para o MCLV, a escolha daquela estação para este ato oficial configurou uma verdadeira afronta, uma vez que a referida compra não inclui um único comboio novo para a Linha do Vouga. Não há a menor dúvida de que o país precisa de mais e de novos comboios, mas achamos desapropriado que o Ministério das Infraestruturas tenha utilizado o principal ponto de ligação da Linha do Vouga à Linha do Norte, como é aquela estação, para servir de "palco" para a celebração do futuro da ferrovia nacional, enquanto ignora deliberadamente a necessidade de renovação da frota de via estreita, que ali definha diariamente perante o olhar de todos. Para o MCLV, este evento em Aveiro deixa um sabor amargo pelos seguintes motivos:


 • Degradação do Serviço: Enquanto se anunciam investimentos para a frota de bitola ibérica, os passageiros do Vouga continuam reféns das automotoras da série 9630 — um material circulante que, apesar do esforço das equipas de manutenção, está no limite da sua vida útil e tem registado vulnerabilidades críticas e avarias constantes. Isto é a principal causa de supressões, deixando os passageiros recorrentemente "a pé" ou dependentes de autocarros de substituição;


 • Falta de Visão Estratégica: Não se pode falar em "modernização", "coesão territorial" e "reforço do transporte público" quando se ignora a necessidade urgente de material circulante novo (ou de uma remotorização profunda e moderna) para a única via estreita em operação no país;


 • Incongruência Geográfica: Realizar esta cerimónia no principal nó de ligação entre as duas bitolas no centro do país, sem anunciar um plano para a aquisição de novo material circulante para o Vouga, demonstra um total desprezo pela continuidade deste sistema ferroviário, ignorando o sofrimento diário de quem utiliza um serviço cada vez mais ultrapassado;


 • Material em fim de vida: As automotoras da série 9630 estão no limite da sua capacidade operacional. Longe de serem fiáveis, tal como referido anteriormente, estas unidades registam avarias constantes e sucessivas, que são a principal causa de supressões diárias e de um serviço degradado;


 • Desigualdade de Tratamento: Milhares de cidadãos de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Espinho são tratados como passageiros de segunda, enquanto a tutela assiste passivamente à degradação do material de via estreita no exato local onde este deveria ter sido valorizado.


O nosso apelo

O MCLV recorda que as renovações de via (atualmente decorre a RIV entre Espinho e a Feira) não terão o impacto desejado se não forem acompanhadas pela vinda de comboios novos. Investir na infraestrutura para depois nela circularem unidades mecanicamente esgotadas e propensas a falhas é uma falha de gestão e um desrespeito pelos utentes.


Este Movimento Cívico não aceita, por isso, que o interface de Aveiro tenha servido apenas de "cenário" para anúncios que excluem o Vouga. Continuaremos a exigir que o próximo ciclo de investimento em material circulante ponha fim a esta afronta. O Vouga não é apenas paisagem, é uma linha viva. Exigimos comboios novos já!


segunda-feira, 9 de março de 2026

Sobre Carris: O 'estranho' caso dos PDA's na Linha do Vouga

No mais recente episódio do podcast Sobre Carris (publicado em fevereiro de 2026), Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins discutiram o problema insólito que tem causado a supressão de comboios na Linha do Vouga: a falta de PDA's (Personal Digital Assistants).

Deixamos aqui um resumo dos pontos principais abordados sobre este tema:


1. O que são e para que servem estes PDA's?


Diferente do que acontece noutras linhas, na Linha do Vouga os PDA's não são usados apenas para a venda ou validação de bilhetes. Eles são dispositivos de segurança críticos.


 • Comunicação: O sistema de sinalização da linha (o SISE - Sistema Integrado de Sinalização e Exploração) exige que o revisor comunique com o Centro de Comando Operacional (CCO) de Contumil através deste aparelho.

 • Autorização de Partida: O revisor utiliza o PDA para assinalar a posição do comboio numa estação e pedir "cantão" (autorização) para seguir até à próxima. Sem este dispositivo, o comboio não terá autorização de segurança para circular.


2. A gravidade do problema


 • Equipamento Obsoleto: Os aparelhos utilizados são antigos e já não existem no mercado para compra. Além disso, o software é "vetusto" e a empresa que o desenvolveu já não opera no mercado, o que impossibilita atualizações ou grandes reparações.

 • Escassez Crítica: A CP ficou com um stock tão reduzido (devido a avarias e até ao desaparecimento de uma unidade) que deixou de ter equipamentos suficientes para todas as circulações previstas.

• Supressões de Comboios: Nos últimos tempos, comboios entre Aveiro e Sernada do Vouga foram suprimidos não por avaria da automotora ou falta de pessoal, mas simplesmente porque não havia um PDA disponível para entregar ao revisor antes do início do serviço.


3. A Crítica do Podcast


Os comentadores do Sobre Carris destacaram o absurdo da situação:

 • Falta de Investimento: Apontam para o desleixo histórico na Linha do Vouga (a única de via estreita em funcionamento em Portugal), onde problemas aparentemente pequenos, mas estruturais, como este, acabam por paralisar o serviço.

 • Soluções de Substituição: Quando um comboio é suprimido por este motivo, a CP tem recorrido a autocarros de substituição, o que degrada a qualidade do serviço e afasta os passageiros.

 • Inércia da IP e CP: O podcast critica o facto de a Infraestruturas de Portugal (IP) e a CP não terem conseguido encontrar uma solução tecnológica moderna ou uma adaptação para este sistema, deixando a linha à mercê de dispositivos eletrónicos que estão a chegar ao fim da sua vida útil.


Em suma, o episódio utiliza o caso dos PDA's como uma metáfora para a fragilidade da Linha do Vouga, onde a operação pode colapsar devido à falta de um simples dispositivo portátil que já nem se fabrica.


🎧 Oiça o episódio completo aqui:



quarta-feira, 4 de março de 2026

Carta Aberta: Solidariedade e Apelo pela Acessibilidade na Linha do Vouga


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem por este meio manifestar a sua profunda solidariedade para com o munícipe de Pinheiro da Bemposta que, após a alegada supressão da travessia pedonal no final da Rua Monsenhor Albino Soares de Pinho, se viu confrontado com uma situação de injustiça e enorme dificuldade no seu quotidiano.


Como recentemente relatado pela comunicação social, Tiago João Sousa, um jovem de 35 anos com paralisia cerebral, que se desloca em cadeira de rodas, é agora forçado a percorrer um desvio adicional de 1 km por caminhos de terra batida, buracos e lama para conseguir chegar ao seu local de trabalho numa IPSS local.


Tiago João Sousa junto à antiga passagem de nível, no Pinheiro da Bemposta. Foto: Diário de Aveiro

A Nossa Posição: 


O MCLV acredita que a Linha do Vouga deve ser um motor de desenvolvimento e união das populações, e nunca um fator de exclusão. A segurança ferroviária é fundamental, mas não deve ser garantida à custa da diminuição da dignidade humana e da autonomia dos cidadãos mais vulneráveis.


Retirar uma passagem sem assegurar uma alternativa pavimentada e acessível é uma falha que atenta contra o direito básico à mobilidade (DL n.º 163/2006).


• O Nosso Apelo às Entidades:


Solidarizar-se exige ação. Por isso, apelamos à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e à Infraestruturas de Portugal (IP) para que colaborem na resolução urgente deste caso:


1. Reposição de uma solução de atravessamento segura e acessível, que devolva ao cidadão o seu trajeto direto e digno;


2. Pavimentação imediata da via de recurso, enquanto uma solução definitiva não for implementada, eliminando as barreiras de terra batida e irregularidades.


A passagem de nível em questão já se encontra suprimida, pelo menos, desde 2010. Foto: Diário de Aveiro.

Estamos cientes de que a lei não permite a reposição do referido atravessamento à superfície, mas também não podemos aceitar que a requalificação da Linha do Vouga resulte em qualquer tipo de barreira física na vida de quem trabalha e contribui para a nossa comunidade. Estamos ao lado deste munícipe e de todos os que lutam por uma mobilidade inclusiva na nossa região.


MCLV, 4 de março de 2026


Fotos: Diário de Aveiro


Notícia Diário de Aveiro: https://www.diarioaveiro.pt/2026/03/03/obrigado-a-ir-de-cadeira-de-rodas-por-terra-batida-para-chegar-ao-trabalho/


Vídeo: https://www.facebook.com/share/v/1V2i8MSrPq/


segunda-feira, 2 de março de 2026

Património em Trânsito: A Operação de Salvaguarda da CP 9004


No passado dia 28 de fevereiro, sob um cenário meteorológico de excelência, a locomotiva CP 2607 assegurou as marchas especiais 31300 (Contumil–Aveiro) e 31301 (Aveiro–Contumil). Esta operação teve como objetivo principal o transporte da locomotiva CP 9004 para as oficinas, que, tendo atingido o seu limite de quilometragem, segue agora para os trabalhos de revisão técnica necessários à continuidade da sua operação.


A composição revestiu-se de um simbolismo particular ao integrar também uma carruagem histórica de via estreita da Linha do Vouga. Esta circulação representa mais do que uma mera necessidade logística; é um testemunho vivo do esforço contínuo pela preservação e valorização do material histórico que constitui a alma do nosso património ferroviário.


Reconhecendo a importância destes passos na manutenção da nossa memória ferroviária, o movimento cívico continua também a acompanhar com atenção e expetativa a evolução do processo de recuperação da locomotiva a vapor CP E214, aguardando brevemente novidades sobre o regresso deste emblemático ativo aos carris.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mesa Redonda debateu Linha do Vouga em São João de Ver

O MCLV marcou presença na Mesa Redonda organizada pela JS da Feira, realizada no passado sábado, na Junta de Freguesia de São João de Ver. 

O local não podia ser mais emblemático: a poucos metros dos carris que simbolizam tanto o nosso passado como o futuro que exigimos.


Apresentado por Guilherme Pinto e aberto pela presidente da JS da Feira, Telma Vieira Barbosa, que assumiu a mobilidade como prioridade, o debate reforçou o que o nosso movimento defende desde o primeiro dia: independência cívica e rigor técnico.


Unir a Região, Manter a Identidade

A sessão contou com a visão histórica de João Costa (deputado municipal em Oliveira de Azeméis), que recordou a importância vital desta linha para o território, defendendo a sua modernização na atual bitola. 


O nosso representante Mário Pereira foi um dos oradores convidados desta Mesa Redonda

Pelo MCLV, o nosso representante Mário Pereira clarificou o nosso ADN: as origens do movimento, os nossos meios de luta e o objetivo inabalável — a requalificação total de Espinho a Aveiro em bitola métrica.


A Bitola Métrica: A Única Opção Viável

Um dos pontos altos foi a intervenção de Frederico Francisco, especialista em ferrovia e deputado à Assembleia da República. Com clareza técnica, Frederico Francisco corroborou a tese que o MCLV sempre defendeu: a manutenção da bitola estreita (1000mm) não é um "mero remendo", mas sim a única e melhor opção estratégica. É a solução que permite:


• Uma obra mais rápida e menos invasiva;

• Custos de implementação sustentáveis;

• A preservação da interoperabilidade de toda a linha do Vouga.


Uma Voz que Atravessa Políticos e Cidadãos 

O debate ganhou ainda mais corpo com as intervenções de Hugo Oliveira (Presidente da Distrital do PS), da deputada Susana Correia e de Márcio Correia (Vereador na CM da Feira e Presidente da Concelhia do PS), além de Paulo Tomaz e João Sarmento.



A nossa conclusão é clara: O consenso técnico está alcançado. A vontade desta área política parece existir. Agora, o MCLV continuará vigilante para que as palavras proferidas em São João de Ver se transformem em carris e comboios novos, horários dignos e uma linha moderna ao serviço das populações.


A luta continua. Pela Bitola Estreita, uma Ambição Larga!


Fotos gentilmente cedidas pela JS Concelhia Santa Maria da Feira


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O Futuro da Linha do Vouga em Debate: Realismo e Propostas Concretas em São João de Ver


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) aceitou o convite da Concelhia da JS de Santa Maria da Feira para integrar a "Mesa Redonda" sobre o destino da nossa linha ferroviária. O evento terá lugar no próximo dia 21 de fevereiro, às 17 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de São João de Ver.

O nosso representante, Mário Pereira, será um dos oradores convidados, partilhando o painel com Frederico Francisco e João Costa.

Compromisso com a Verdade

Para o MCLV, este debate não será um exercício de retórica. A nossa participação pautar-se-á por três eixos fundamentais:

• Realismo: Analisar a situação atual da linha sem filtros.

• Propostas Concretas: Apresentar soluções técnicas, sociais e financeiramente exequíveis para a modernização do serviço.

• Sem Falsas Promessas: Defender o "Vouguinha" com base na viabilidade e no respeito pelos utentes, longe de ilusões eleitoralistas.

Acreditamos que Santa Maria da Feira e toda a região de Aveiro merecem uma ferrovia do século XXI. É em locais como São João de Ver, que vivem a realidade da linha diariamente, que as decisões devem ser escrutinadas.

📍 Agende e Compareça:

📅 Data: 21 de Fevereiro (Sábado)
🕔 Hora: 17h00
📍 Local: Salão Nobre da Junta de Freguesia de São João de Ver (Santa Maria da Feira)

A tua presença é a nossa força. Vamos mostrar que a Linha do Vouga tem voz!

Anos
A idade da Linha do Vouga
98 Quilómetros
Via férrea ativa entre Espinho e Aveiro
610000 Passageiros
Média anual na Linha do Vouga

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