Movimento Cívico pela Linha do Vouga

"Estamos na luta pela Linha do Vouga. Todos nós sonhamos com algo e todos nós ambicionamos algo. Aquilo com que sonhamos e com que ambicionamos é que a via estreita tenha um futuro e não um fim. Queremos que preservem a última linha de via estreita do país, que a renovem, que lhe "limpem a cara". Não queremos que a eliminem pois faz parte da nossa história. Queremos que os nossos filhos, netos e bisnetos, possam, no futuro, desfrutar das mesmas aventuras que todos nós (ainda) podemos desfrutar. A história da Linha do Vouga é algo que tem de ser preservado, pois um país que não preserve a sua história, não é um país. A via tem um potencial turístico enorme, assim como uma afluência de passageiros que consideramos sustentável caso a oferta de comboios seja melhorada. Em Espanha, encontram-se alguns exemplos de como a via estreita pode ser rentável no século XXI, basta para isso algum dinamismo e vontade política para que isso aconteça de igual modo em Portugal."

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Comunicado: Estudo ignora a melhor solução para forçar a escolha entre o 'mau' e o 'pior'


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem a público expressar a sua mais profunda indignação e preocupação relativamente às recentes declarações, relativas ao futuro da Linha do Vouga, da parte de um dos responsáveis da Área Metropolitana do Porto (AMP), nomeadamente do Eng. Nuno Sousa (Presidente do Conselho de Administração da empresa Transportes Metropolitanos do Porto - TMP), conforme noticiado pelo jornal Região de Terras de Santa Maria. 


Segundo confirmado publicamente na peça informativa, embora admitindo que ainda não esteja definida qual a solução a avançar, foi na última sessão ordinária da Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira que este responsável informou que os estudos em curso para o corredor da Linha do Vouga (entre Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e Espinho) estão exclusivamente a equacionar duas alternativas: a conversão para Bitola Ibérica ou a implementação de um sistema BRT (Bus Rapid Transit), também conhecido por Metrobus.


Por conseguinte, ao remeter para o esquecimento a solução de modernização mantendo a bitola atual (Métrica), a AMP e as entidades envolvidas poderão estar a incorrer num gravíssimo erro de planeamento técnico e financeiro. Perante este cenário, o MCLV denuncia e exige esclarecimentos sobre quatro contradições insustentáveis:

1. A exclusão deliberada da solução ideal (Bitola Métrica):

É inaceitável que qualquer estudo de mobilidade pago com dinheiros públicos ignore a alternativa que é, no nosso entender, a mais racional e eficiente. Queremos acreditar no contrário, mas desta forma o debate poderá estar a ser viciado para empurrar as populações para um falso dilema entre a solução má (reconversão para Bitola Ibérica), cujo projeto será inevitavelmente de custos astronómicos, com obras pesadas e destrutivas nas malhas urbanas, e cujos raios de curva na Linha do Vouga são manifestamente incompatíveis com o comboio convencional de via larga, e a solução pior (BRT / Metrobus), que significa o desmantelamento da infraestrutura ferroviária. Destruir os carris para alcatroar o canal ferroviário e colocar autocarros a circular, reduzindo a capacidade de transporte, o conforto e a durabilidade do sistema é aquilo que vulgarmente configura "andar de cavalo para burro".


A modernização da Bitola Métrica existente (1000 mm) — com a eletrificação e adoção, por exemplo, de composições elétricas ligeiras sobre carris (tipo tram-train), à semelhança dos modelos de sucesso em toda a Europa — foi simplesmente varrida para debaixo do tapete, ignorando-se assim o próprio Plano Ferroviário Nacional.

2. Falsa narrativa da "reativação" de uma linha que está ATIVA:

É chocante ver responsáveis políticos utilizarem o termo "reativação" quando se referem à Linha do Vouga. A Linha do Vouga não precisa de ser reativada porque nunca esteve fechada (pelo menos entre Espinho e Aveiro); continua em pleno funcionamento e a servir diariamente centenas de passageiros. Falar em "reativar" é uma tentativa grosseira de desvalorizar o serviço ferroviário existente para preparar a opinião pública para o seu desmantelamento ou substituição por autocarros.

3. A devassa do investimento público: 

Onde fica a coerência das obras em curso? Neste momento, podemos estar a assistir a uma irracionalidade de gestão sem precedentes. A Infraestruturas de Portugal (IP) e o Estado estão neste exato momento a executar trabalhos de Renovação Integral de Via (RIV) e a investir milhões de euros na infraestrutura atual em bitola métrica. Como é possível que, em paralelo, a AMP possa estar a gastar recursos para estudar a destruição desse mesmo canal para passar autocarros (BRT) ou mudar a bitola? É um desrespeito absoluto pelos dinheiros públicos e pelos contribuintes.

4. A grande mentira do transbordo em Espinho:

Durante os últimos anos, os defensores da reconversão para bitola ibérica atacaram a manutenção da bitola métrica com o argumento de que era imperativo eliminar o transbordo em Espinho para permitir viagens diretas ao Porto. Contudo, perante a hipótese de um BRT, esses mesmos decisores parecem vir agora defender, sem qualquer pudor, um sistema que obriga exatamente ao mesmo transbordo em Espinho para a Linha do Norte.

Isto desmascara a hipocrisia da narrativa: a rejeição do transbordo era apenas um pretexto político. Se o transbordo em Espinho afinal já serve para um autocarro sobre pneus, porque é que não serve para um comboio elétrico moderno, rápido, silencioso e de elevada capacidade sobre os carris em bitola métrica?

Conclusão: Servir a região ou ceder a interesses obscuros?

A insistência em ignorar a bitola métrica — a única opção financeiramente viável, ambientalmente responsável a longo prazo e de execução rápida — demonstra que este estudo não nasce da necessidade dos cidadãos das Terras de Santa Maria, mas sim de uma presumível tentativa de acomodar interesses obscuros que procuram o desmantelamento ferroviário e o favorecimento de outras soluções, nomeadamente rodoviárias, a todo o custo.


Enquanto os decisores políticos apresentam soluções tacanhas, caras e ineficientes, este movimento cívico reitera o seu compromisso inabalável com a verdadeira modernização do nosso território.


Pela Bitola Métrica, uma Ambição Larga!


Notícia do jornal Região de Terras de Santa Maria, aqui.


terça-feira, 29 de setembro de 2026

15 Anos, 15 Memórias: A Luta pela Linha do Vouga (2016)

No dia 19 de outubro o Movimento Cívico pela Linha do Vouga cumpre 15 anos de existência. Para assinalar este marco, ao longo dos próximos dias continuamos a viajar no tempo através de 15 fotografias — uma por cada ano da nossa história.

2016: A Luz ao Fundo do Túnel - O Resgate do Material Histórico


Depois de um 2015 marcado pelo isolamento do Museu de Macinhata do Vouga e pelas reticências da autarquia local em avançar com a nossa proposta para um museu vivo, o ano de 2016 trouxe a reviravolta que tanto ansiávamos para a preservação da via estreita.

A CP – Comboios de Portugal iniciou os trabalhos de resgate e recolha do património circulante histórico que se encontrava abandonado na estação da Régua, como regista esta fotografia. Este material de via estreita (do antigo Comboio Histórico da Linha do Corgo) foi mobilizado e encaminhado para restauro oficinal, garantindo a sua salvaguarda.

Esta decisão da CP começou, em 2016, a moldar a base daquilo que viria a ser um marco na nossa região: a preparação para a criação do Comboio Histórico do Vouga, provando que a visão e a insistência pela valorização deste património valiam mesmo a pena.

A nossa viagem no tempo continua! Siga a página diariamente e acompanhe esta retrospetiva até ao dia 19 de outubro. Na próxima "paragem" recordamos o ano de 2017!

📍 Peso da Régua, 2016
📸 Autoria da foto: Manuel Moreira

domingo, 27 de setembro de 2026

15 Anos, 15 Memórias: A Luta pela Linha do Vouga (2015)

No dia 19 de outubro o Movimento Cívico pela Linha do Vouga cumpre 15 anos de existência. Para assinalar este marco, ao longo dos próximos dias continuamos a viajar no tempo através de 15 fotografias — uma por cada ano da nossa história.

2015: O Isolamento do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga


O ano de 2015 ficou marcado por um contraste difícil de compreender na gestão da nossa ferrovia. Ao mesmo tempo que se realizavam obras de requalificação na via principal, a ligação ao Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga acabou por ser fisicamente cortada.


Esta fotografia mostra precisamente esse cenário: a linha principal renovada e, ao lado, o corte da agulha de acesso às linhas do museu. Um duro golpe que isolou da rede ferroviária nacional um dos mais importantes núcleos museológicos de via estreita do país, inviabilizando a circulação livre de composições históricas.


O isolamento de Macinhata do Vouga demonstrou que as obras na via pecaram por falta de uma visão integrada para o património. Hoje, numa altura em que o museu se encontra finalmente a ser alvo de obras de renovação e ampliação, é imperativo que esta intervenção sirva também para repor a ligação à linha principal e corrigir este erro do passado.


A nossa viagem no tempo continua! Siga a página diariamente e acompanhe esta retrospetiva até ao dia 19 de outubro. Na próxima "paragem" recordamos o ano de 2016!


📍 Macinhata do Vouga, 2015

📸 Autoria da foto: Ricardo Grilo


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

15 Anos, 15 Memórias: A Luta pela Linha do Vouga (2014)

No dia 19 de outubro o Movimento Cívico pela Linha do Vouga cumpre 15 anos de existência. Para assinalar este marco, ao longo dos próximos dias continuamos a viajar no tempo através de 15 fotografias — uma por cada ano da nossa história.

2014: A Velocidade de Caracol


Em 2014, o troço central mantinha-se encerrado ao serviço comercial de passageiros, ficando a circulação nos carris nesse trecho remetida essencialmente a comboios de serviço (como as rotações de material circulante e deslocações às oficinas de Sernada do Vouga). Já no troço entre Sernada do Vouga e Águeda, também existiram fortes limitações nas circulações devido ao estado da via.

Foi nestes troços mais críticos que a degradação da infraestrutura obrigou à imposição de limitações de velocidade extremas. Esta imagem de um sinal de limitação a 10 km/h resume esse período: a linha estava tão debilitada que os comboios se viam obrigados a andar a passo de caracol.

Enquanto o serviço comercial resistia no resto da linha, estes 10 km/h tornaram-se o símbolo do abandono a que a Linha do Vouga foi votada — e o motivo pelo qual o MCLV nunca deixou de exigir obras de fundo.

A nossa viagem no tempo continua! Siga a página diariamente e acompanhe esta retrospetiva até ao dia 19 de outubro. Na próxima "paragem" recordamos o ano de 2015!

📍 Oliveira de Azeméis, 2014
📸 Autoria da foto: Aníbal Bastos

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

15 Anos, 15 Memórias: A Luta pela Linha do Vouga (2013)

No dia 19 de outubro o Movimento Cívico pela Linha do Vouga cumpre 15 anos de existência. Para assinalar este marco, ao longo dos próximos dias continuamos a viajar no tempo através de 15 fotografias — uma por cada ano da nossa história.

2013: O Golpe no Troço Central


O ano de 2013 ficou marcado por um dos momentos mais difíceis da história recente da Linha do Vouga. O descarrilamento de uma automotora junto ao apeadeiro de Ul expôs, de forma dramática, a falta de investimento e o estado de degradação da via.


A consequência foi praticamente imediata e dolorosa: o encerramento do serviço comercial de passageiros no troço central. O comboio deixava de unir a totalidade da linha, privando as populações locais da sua alternativa de transporte mais barata, sustentável e acessível.


Este acidente foi o resultado direto de anos de abandono — um momento crítico que tornou ainda mais urgente a ação do nosso movimento por uma ferrovia digna e segura.


A nossa viagem no tempo continua nos próximos dias. Siga a página diariamente e acompanhe esta retrospetiva até ao dia 19 de outubro!


📍 Ul, 2013

📸 Autoria da foto: Aníbal Bastos


terça-feira, 22 de setembro de 2026

Descobrindo o Comboio Histórico do Vouga... além-fronteiras!


Foi no programa "Escápate de viaje" — uma série documental da emissora espanhola Castilla y León Televisión (CYL TV) dedicada a dar a conhecer itinerários turísticos e de lazer — que fomos surpreendidos com aquela que é, muito provavelmente, uma das melhores e mais bonitas reportagens alguma vez realizadas sobre o nosso Comboio Histórico do Vouga.


No episódio "Escápate por el Festival de los Paraguas de colores de Águeda" (Temporada 9, Episódio 2), os nossos vizinhos espanhóis captaram com enorme sensibilidade a magia da última linha de bitola estreita em funcionamento em Portugal. Desde o património ferroviário vivo à beleza das paisagens e à riqueza cultural da região, o documentário mostra ao mundo o potencial extraordinário do "Vouguinha".



Se precisávamos de mais uma prova do valor turístico, histórico e humano do património da Linha do Vouga, este olhar vindo do outro lado da fronteira diz tudo.



Aconselhamos vivamente a verem a reportagem completa! Assista aqui: https://www.cyltvplay.es/Player.aspx?id=ba1b1142-b6b4-4886-93d9-85597a80cc9

Anos
A idade da Linha do Vouga
98 Quilómetros
Via férrea ativa entre Espinho e Aveiro
610000 Passageiros
Média anual na Linha do Vouga

Galeria

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Material circulante
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