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| Foto: CP - Comboios de Portugal |
O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) manifesta a sua profunda desilusão e incompreensão perante a escolha da Estação de Aveiro como local onde, na passada terça-feira, decorrera a assinatura do aditamento ao contrato de compra de novas unidades automotoras para a CP.
Para o MCLV, a escolha daquela estação para este ato oficial configurou uma verdadeira afronta, uma vez que a referida compra não inclui um único comboio novo para a Linha do Vouga. Não há a menor dúvida de que o país precisa de mais e de novos comboios, mas achamos desapropriado que o Ministério das Infraestruturas tenha utilizado o principal ponto de ligação da Linha do Vouga à Linha do Norte, como é aquela estação, para servir de "palco" para a celebração do futuro da ferrovia nacional, enquanto ignora deliberadamente a necessidade de renovação da frota de via estreita, que ali definha diariamente perante o olhar de todos. Para o MCLV, este evento em Aveiro deixa um sabor amargo pelos seguintes motivos:
• Degradação do Serviço: Enquanto se anunciam investimentos para a frota de bitola ibérica, os passageiros do Vouga continuam reféns das automotoras da série 9630 — um material circulante que, apesar do esforço das equipas de manutenção, está no limite da sua vida útil e tem registado vulnerabilidades críticas e avarias constantes. Isto é a principal causa de supressões, deixando os passageiros recorrentemente "a pé" ou dependentes de autocarros de substituição;
• Falta de Visão Estratégica: Não se pode falar em "modernização", "coesão territorial" e "reforço do transporte público" quando se ignora a necessidade urgente de material circulante novo (ou de uma remotorização profunda e moderna) para a única via estreita em operação no país;
• Incongruência Geográfica: Realizar esta cerimónia no principal nó de ligação entre as duas bitolas no centro do país, sem anunciar um plano para a aquisição de novo material circulante para o Vouga, demonstra um total desprezo pela continuidade deste sistema ferroviário, ignorando o sofrimento diário de quem utiliza um serviço cada vez mais ultrapassado;
• Material em fim de vida: As automotoras da série 9630 estão no limite da sua capacidade operacional. Longe de serem fiáveis, tal como referido anteriormente, estas unidades registam avarias constantes e sucessivas, que são a principal causa de supressões diárias e de um serviço degradado;
• Desigualdade de Tratamento: Milhares de cidadãos de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Espinho são tratados como passageiros de segunda, enquanto a tutela assiste passivamente à degradação do material de via estreita no exato local onde este deveria ter sido valorizado.
O nosso apelo
O MCLV recorda que as renovações de via (atualmente decorre a RIV entre Espinho e a Feira) não terão o impacto desejado se não forem acompanhadas pela vinda de comboios novos. Investir na infraestrutura para depois nela circularem unidades mecanicamente esgotadas e propensas a falhas é uma falha de gestão e um desrespeito pelos utentes.
Este Movimento Cívico não aceita, por isso, que o interface de Aveiro tenha servido apenas de "cenário" para anúncios que excluem o Vouga. Continuaremos a exigir que o próximo ciclo de investimento em material circulante ponha fim a esta afronta. O Vouga não é apenas paisagem, é uma linha viva. Exigimos comboios novos já!









